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Arquivo mensal: março 2017

Nada tenho contra os intelectuais, a não ser quando eles dão conselhos práticos. Admiro sua erudição, suas citações de rodapé, seu esforço de explicação.  Mas quando olho pro mundo,  tudo me parece pura diversão, mutação no tempo. E a vida continua sendo o de sempre: um trajeto garantido entre o berço e o túmulo. Nesse meio tempo, com sorte, podemos achar algum prazer ou diversão.

Não vou ser aqui aquele sábio que diz amar a sabedoria pela sabedoria. Sabedoria não tem nádegas nem sabor e nem de longe a emoção de surfar uma onda de, digamos, um metro de altura. Se tem, é de um modo transviado e doentio que ainda não atinamos bem.

Mas o pior é quando agente fica sabendo que se o planeta se coçar só um pouquinho ou se um cometa se chocar com a terra, tudo pode ir pro beleléu. Milhares de livros sobre o Ser, a Existência,  Dialética da natureza, Teoria econômica, Psicologia humana etc vai tudo ser engolido por alguma placa tectônica nervosa.

Seria fácil se agente aceitasse, sem ilusão, que nós somos mortais como a bactéria que aparece na laranja, o peixe que vai pra panela com leite de coco e pimenta, o boi que vira churrasco e alegra os nossos domingos com salada de agrião.  Mas não, nós queremos uma dignidade maior diante dos bichos. Nós somos seres pensantes. A razão é divina. Escrevemos livros, construímos pontes, inventamos o chip eletrônico. Seria isso tudo à toa? Só Deus nessa causa? Tudo vai ser esquecido?

Não, não é fácil aceitar que uma vida tão complexa e tão elaborada acabe simplesmente em Nada!  Mas nem por isso as abelhas desistem de fazer mel e proteger a sua colmeia. Nem por isso as formigas param de trazer gravetos pras suas tocas, e alimentar a rainha. E se eles não planejaram isso antecipadamente, a natureza planejou por eles. Não faz muita diferença.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Coragem, o cão covarde,  não Johnny Bravo — eis aí como me sinto nesse momento. Indignado com a carne contaminada nos açougues, esqueço da reforma da previdência. Inconformado com o mensalão e com o petrolão, esqueço os milhões de miseráveis que saíram da extrema pobreza no governo Lula-Dilma para gritar em favor do Juiz Sérgio Moro

Ah Coragem, seu cão covarde. Pequeno burguês conciliador de coisas aparentemente inconciliáveis. Vai no facebook e comenta um “Fora Temer”, “Lula na Cadeia”, “Morra Dilma” ou coisa parecida. Pede intervenção militar. Faz qualquer coisa radical, grava um vídeo conclamando a classe operária, pede o estado mínimo. Mas que diabos, Coragem, sai da zona de conforto,  do teu pacote de turismo, da tua receita de tapioca.

Fiquei animado a fazer alguma coisa e juro que faria, se não estivesse passando agora o desenho animado do Titio Avô.