arquivo

Arquivo mensal: agosto 2016

Quando criança, aqui em São Paulo, o meu passatempo predileto era ler gibis do Mickey e do Pato Donald.  Quando acumulava muitos, ia ao sebo de gibis na rua Martim Francisco,  quase na esquina com a rua das Palmeiras, e trocava  dois gibis velhos por um outro usado. Almanaques valiam três. Aquele pequeno escambo de revistas em quadrinhos era um negócio de sucesso.

Um dia achei uma história muito interessante. O Tio Patinhas, Donald e os três sobrinhos ficaram presos em uma ilha isolada e deserta.  Não havia comida nem água. O Tio Patinhas e o Pato Donald começaram então a procurar água e comida.

O Tio Patinhas achava ouro, diamantes, prata … mas não achava água nem comida. O Pato Donald achou um coco. Mas o coco não dava pra matar a sede nem alimentar  todo mundo. Se dividisse com o tio Patinhas, todos morreriam de fome e de sede.

O Tio Patinhas então ofereceu ouro e diamantes ao Pato Donald em troca do coco. Mas o Pato Donald pensou bem, e não viu vantagem nenhuma em ter ouro e diamantes e morrer de fome e sede.  Não se come ouro ou diamante. Também ouro não é varinha mágica que traz comida, abrigo e roupa do nada. Se houvesse pelo menos um agricultor ali, se houvessem operários trabalhando, se houvesse comércio pra comprar coisas com ouro e diamante, aí sim, ele aceitaria a oferta do velho Tio Patinhas.

A história, como sempre,  acabou bem. Eles escaparam da ilha e se salvaram. Mas deixou em mim a certeza de que dinheiro, sem trabalho, é uma ficção sem trama. Todo o dinheiro do mundo, se isolado em uma ilha, não vale nada. Precisa de trabalho.

E é engraçado como nós, trabalhadores da cidade e do campo, pensamos no dinheiro como algo distante e difícil de conquistar, quando na verdade somos nós que fazemos o dinheiro valer alguma coisa além dos valores impressos nas notas. Aqueles valores são o resultado da nossa labuta diária.

 

 

Anúncios