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Arquivo mensal: junho 2016

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A roupa nova do Rei

Tem também aquela lenda  do Rei (ou imperador)  vaidoso, inspirada em um conto medieval, que gostava de trocar de roupa várias vezes por dia. Ele tinha uma roupa pro café da manhã, outra pro almoço, outra pro chá da tarde e outra pra hora de jantar.

Naquele tempo dois tecelões se apresentaram no palácio como grandes conhecedores na arte da tecelagem, e disseram que faziam roupas tão lindas que quem não visse a beleza das suas roupas só poderia ser muito, mas muito estúpido mesmo.

Os tecelões então pediram fios de ouro puro e começaram a fingir que trabalhavam na roca. Como já estavam demorando muito, o Rei pediu ao primeiro ministro que fosse ver como ia indo o trabalho. Chegando lá, os tecelões paravam de simular que estavam tecendo,erguiam as mãos e fingiam que seguravam o tecido. O ministro não via nada, mas se lembrou de que se não visse nada seria considerado estúpido, muito estúpido mesmo. Voltou ao Rei e disse que os tecelões estavam fazendo um excelente trabalho e o tecido era lindíssimo.

Assim continuou o Rei a enviar pessoas para conferir o trabalho dos tecelões. Todos voltavam admirados com o resultado, mesmo sem enxergar a roupa.  Ora, mas eles não eram estúpidos, e só uma pessoa muito estúpida não enxergaria a beleza daquela obra de arte. Então diziam ao Rei que os tecelões trabalhavam muito bem e com muita arte. O Rei estava muito contente e sempre enviava mais e mais fios de ouro a pedido dos tecelões.

Até que um dia a roupa ficou pronta. O Rei olhou bem, mas não viu a roupa. Esfregou os olhos, mas continuava não enxergando a roupa. Como não queria ser considerado um Rei muito estúpido, perguntou aos ministros o que achavam. Os ministros, como também não eram estúpidos, acharam que a roupa estava à altura da realeza, da sabedoria e da coragem do Rei. Os tecelões vestiram o Rei. “Tão leve que eu nem sinto ela sobre a minha pele!”, disse ele, emocionado. O Rei então pagou regiamente aos dois tecelões, e os despediu com todas as honras.

Os tecelões malandros, por sua vez, partiram rapidamente levando todo o ouro em grandes sacos.

O Rei então saiu pelas ruas com a sua comitiva, para exibir a sua nova roupa ao povo. Todos levantavam bandeiras e gritavam: “Vida longa ao nosso Rei!”.

Com medo de parecer estúpido, todo mundo se esforçava para acreditar que a roupa do Rei era muito elegante enquanto ele desfilava garbosamente pelas ruas.

Até que um garoto não se sabe de onde, que nada sabia de estupidez nem de bom gosto, denunciou a nudez do Rei apontando para ele e dizendo: “Vejam só que engraçado, o Rei está nu!”.  O povo abriu os olhos como quem acorda de um transe, e de repente caiu na gargalhada. O Rei, é claro,  ficou muito envergonhado.

E se a história não foi bem assim, bem que poderia tecido.

 

 

 

 

 

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